O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia avançar sobre um dos capítulos mais delicados das investigações envolvendo o Banco Master. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (1º), o magistrado considera a possibilidade de abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes após a Polícia Federal identificar mensagens trocadas entre ele e Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira.
De acordo com a CNN Brasil, Mendonça já discute o assunto com interlocutores e mapeia os votos que teria entre os ministros do Supremo caso leve ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido formal para investigar Moraes.
O movimento ocorre após novas informações obtidas pela Polícia Federal sobre mensagens encontradas em aparelhos apreendidos durante as investigações relacionadas a Vorcaro.
Em um dos diálogos analisados pelos investigadores, o ex-banqueiro afirma precisar da “proteção” de “Andrei” e “Paulo”. Segundo relatório da PF, os nomes seriam referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Inicialmente, os investigadores não haviam identificado o destinatário das mensagens. Apurações posteriores da Polícia Federal, porém, apontaram que o interlocutor seria Alexandre de Moraes.
Mendonça cobra explicações
Diante das informações, Mendonça encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República e pediu esclarecimentos sobre o conteúdo das mensagens.
Segundo reportagens publicadas nesta terça-feira, a PGR foi intimada a se manifestar em até cinco dias.
Mendonça também havia solicitado à Polícia Federal a elaboração, em 72 horas, de um relatório reunindo as menções encontradas no material apreendido com Vorcaro a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.
As mensagens foram recuperadas de uma forma incomum de comunicação utilizada pelo ex-banqueiro. De acordo com a investigação, Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo WhatsApp com visualização única.
O que dizem as mensagens
Em uma das mensagens atribuídas a Vorcaro, datada de 30 de outubro de 2025, o banqueiro pede ao interlocutor que reforçasse junto a “Andrei e Paulo” a necessidade de impedir que integrantes subordinados da Polícia Federal e do Ministério Público Federal tomassem medidas contra ele.
O conteúdo é analisado pelos investigadores para determinar se houve tentativa de interferência nas apurações envolvendo o Banco Master e qual teria sido a participação de cada autoridade mencionada.
Até o momento, porém, as mensagens divulgadas não comprovam que Moraes tenha atendido aos pedidos de Vorcaro nem que Gonet ou Andrei Rodrigues tenham efetivamente concedido qualquer tipo de proteção ao banqueiro.
Esse ponto é central para a investigação e ainda depende do aprofundamento das apurações.
Moraes pode entrar formalmente no inquérito
André Mendonça é relator de investigações relacionadas ao caso Master no Supremo e agora avalia incluir Alexandre de Moraes entre os investigados.
Segundo a CNN Brasil, Mendonça considera graves as novas informações e avalia apresentar a Fachin um pedido formal de investigação. Interlocutores do ministro já estariam contabilizando os votos que poderiam apoiar a medida no plenário.
O UOL também informou que Mendonça e seus auxiliares avaliam retirar o sigilo do relatório produzido pela Polícia Federal.
Uma eventual investigação contra um ministro do Supremo, no entanto, envolve procedimentos específicos e deverá passar pela análise da própria Corte.
Contrato do escritório de Viviane Barci também entra no radar
Outro elemento considerado relevante por Mendonça, segundo a CNN Brasil, envolve a relação entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.
Reportagens apontam que o escritório manteve um contrato milionário de prestação de serviços com o Banco Master. Segundo a CNN, informações sobre o manuseio do documento por Moraes também são consideradas por interlocutores de Mendonça como passíveis de apuração.
O escritório afirmou anteriormente que, diante da abrangência dos serviços solicitados pelo Banco Master, seu setor de compliance pediu informações a Alexandre de Moraes na condição de marido da sócia-diretora da banca.
A existência de vínculos profissionais entre o escritório e o banco, isoladamente, não comprova irregularidade por parte do ministro.
Caso Master amplia pressão sobre o Supremo
As novas informações aprofundam uma investigação que já produziu episódios de tensão entre integrantes do STF e a Polícia Federal.
Mendonça vinha afirmando a interlocutores que não pretende promover prejulgamentos contra colegas da Corte, mas também não ignoraria eventuais provas de envolvimento de ministros nas relações mantidas por Vorcaro.
Agora, a identificação de Moraes como possível interlocutor das mensagens coloca o caso em um novo estágio.
A manifestação da Procuradoria-Geral da República deverá ser um dos próximos passos antes de Mendonça decidir se existem elementos suficientes para avançar formalmente sobre Moraes.
Até a publicação das reportagens desta terça-feira, Alexandre de Moraes não havia se manifestado sobre as novas informações.







