O ultraleve modelo Conquest que caiu e pegou fogo na tarde de quarta-feira (29), em Mogi Mirim, no interior de São Paulo, era uma aeronave classificada como experimental e de construção amadora, segundo informações do cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O acidente provocou a morte do piloto Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, gestor de segurança da escola de aviação Sport Pilot.
Fabricado em 2004 pela Donald Stipanich, o avião havia sido adquirido pela escola em março deste ano e possuía Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave), documento exigido para esse tipo de operação. A aeronave contava com dois assentos e capacidade máxima de 650 quilos.
De acordo com a Anac, aeronaves experimentais de construção amadora são desenvolvidas por particulares e não precisam atender aos mesmos requisitos técnicos de aeronavegabilidade exigidos para aviões certificados. Nesses casos, o construtor assume integralmente os riscos relacionados à operação da aeronave.
A agência explica que sua atuação se limita à verificação de requisitos administrativos, como a comprovação de que a maior parte da aeronave foi construída pelo próprio responsável ou que um engenheiro assumiu a responsabilidade técnica pela construção. Além disso, esse tipo de aeronave só pode operar durante o dia e não pode ser utilizado para voos comerciais, transporte remunerado ou instrução de pilotos.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacaram que aeronaves dessa categoria costumam ser mais sensíveis às condições meteorológicas por apresentarem menor peso e estrutura mais leve.
No momento do acidente, Mogi Mirim registrava rajadas de vento de até 60,5 km/h, conforme dados da Defesa Civil. Embora testemunhas tenham relatado que o vento parecia fraco no local da queda, técnicos apontam que as rajadas podem ter contribuído para a perda de controle da aeronave, sem que isso represente necessariamente a causa única do acidente.
O proprietário da Sport Pilot, Gerson Martinez, afirmou que Leonardo teria abastecido o avião com uma quantidade de combustível um pouco superior ao habitual para um voo local. Segundo ele, a decisão pode ter sido motivada pela possibilidade de mudanças nas condições climáticas, permitindo uma margem maior de segurança caso fosse necessário alternar o pouso para outro aeroporto.
Ainda de acordo com Martinez, pouco depois da decolagem a aeronave entrou em uma atitude considerada anormal antes de cair em uma área próxima à Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos. Após o impacto, o avião foi consumido pelas chamas, e o piloto morreu no local.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência e aguarda os laudos periciais para confirmar oficialmente a identificação da vítima e esclarecer os fatores envolvidos no acidente.
A Força Aérea Brasileira informou que investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV) realizaram a ação inicial no local. O trabalho faz parte da investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que buscará identificar os fatores contribuintes e, se necessário, emitir recomendações para evitar novas ocorrências semelhantes.





