O ministro Alexandre de Moraes pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que retire o sigilo de mais um processo relacionado às apurações do caso Master. A solicitação foi feita neste domingo (13), a dois dias da sessão em que o plenário deverá discutir a possível abertura de uma investigação contra Moraes.
O pedido envolve a Petição 15.645, que permanece sob sigilo e está sob relatoria do ministro André Mendonça. Segundo Moraes, o processo contém “elementos essenciais” para o julgamento previsto para terça-feira (15). Ele também solicitou que a íntegra dos autos seja disponibilizada aos demais integrantes da Corte antes da sessão.
Embora não tenha detalhado publicamente o conteúdo da petição, o processo teria informações relacionadas à rede de pagamentos envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Mendonça já tornou públicos dezenas de procedimentos ligados às investigações, mas a Pet 15.645 não foi incluída entre os documentos liberados.
Na noite deste domingo, Fachin encaminhou a solicitação à Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu uma manifestação “com a brevidade” necessária diante da proximidade do julgamento.
A sessão de terça-feira terá como foco o relatório da Polícia Federal que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. O documento reúne 52 mensagens encontradas pelos investigadores e trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, quando o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez.
Fachin assumiu neste sábado (12) a condução da discussão que estava sob responsabilidade de Mendonça. A mudança teve como fundamento o regimento interno do Supremo, segundo o qual procedimentos preliminares envolvendo ministros da própria Corte devem ficar sob responsabilidade do presidente do tribunal.
A forma como o relatório da PF foi produzido também está no centro da controvérsia. A PGR já defendeu o arquivamento do documento por considerar irregular a determinação que deu origem ao levantamento. Para o órgão, a medida teria sido adotada por Mendonça no âmbito das investigações do caso Master sem comunicação prévia à Presidência do STF ou submissão ao plenário.
Caso os ministros reconheçam uma irregularidade na origem do relatório, a discussão sobre o conteúdo das mensagens poderá ser prejudicada. Se o material for considerado válido, o plenário deverá avaliar se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação e se outras informações são necessárias para aprofundar a análise.
O caso ampliou a tensão interna no Supremo desde a divulgação das informações encontradas pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master.







