A Justiça de São Paulo decidiu levar a júri popular o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, acusado de tentar matar a médica Samira Mendes Khouridurante uma série de agressões ocorrida em julho de 2025. A decisão foi proferida nesta sexta-feira (11) pela juíza Luiza Torggler Silva, que também determinou a manutenção da prisão preventiva do réu.
Pedro responderá por tentativa de feminicídio. Ao analisar o processo, a magistrada considerou que existem provas da ocorrência do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri.
A defesa tentou afastar a acusação de tentativa de feminicídio e pediu que o caso fosse enquadrado como lesão corporal. O pedido, porém, foi rejeitado. Na avaliação da juíza, as circunstâncias descritas nos autos permitem que a possível intenção de matar seja analisada pelos jurados.
Entre os elementos citados na decisão estão os golpes direcionados à cabeça e ao pescoço da vítima, a continuidade das agressões mesmo depois de Samira cair no chão e a fuga de Pedro após o episódio.
Também serão submetidas ao júri as qualificadoras apresentadas na denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O processo considera a prática do crime em contexto de violência doméstica e familiar e por razões da condição do sexo feminino, além do emprego de meio cruel e de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A magistrada ainda recusou a solicitação da defesa para a abertura de incidente de insanidade mental. O advogado Eugênio Malavasi, responsável pela defesa do fisiculturista, informou que avalia recorrer da decisão.
Relembre o caso
O episódio aconteceu na madrugada de 14 de julho de 2025, em um apartamento que o casal havia alugado na capital paulista. Segundo o relato de Samira, Pedro chegou alterado ao imóvel depois de ter sido expulso de uma balada LGBTQIA+ após uma confusão motivada por ciúmes.
A médica afirmou que recebeu um soco e caiu no chão. Mesmo desacordada, teria continuado a ser atingida. Ao recuperar a consciência durante as agressões, Samira contou que decidiu permanecer imóvel e fingir que ainda estava desmaiada por temer que a reação do namorado fosse ainda mais violenta caso ele percebesse que ela havia acordado.
De acordo com o depoimento da vítima, o ataque se prolongou por aproximadamente seis minutos. Samira relatou se lembrar de ter recebido mais de dez socos depois de recuperar a consciência.
Após as agressões, Pedro deixou o apartamento levando o celular e o carro da médica, conforme o relato apresentado no caso. Ele foi posteriormente preso em Santos, no litoral paulista, onde morava com Samira.
A vítima precisou ser hospitalizada em razão dos ferimentos e permaneceu afastada de suas atividades profissionais por meses. Ela conseguiu retornar ao trabalho cinco meses depois do episódio.
Com a decisão de pronúncia, caberá agora ao Tribunal do Júri analisar a acusação de tentativa de feminicídio e as qualificadoras atribuídas ao caso. A data do julgamento ainda não foi informada.







